Dom Luiz Mancilha Vilela - dayana souza (46)Prestes há completar 76 anos, Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória, se prepara para deixar o posto. Em entrevista a ESHOJE, que aconteceu poucos antes da missa de encerramento da Festa da Penha 2018, o religioso explicou o motivo de sua permanência no cargo ter sido estendida por um ano.

Dom Luiz também avaliou seu tempo à frente da Arquidiocese de Vitória e deu detalhes sobre a escolha do próximo bispo que irá ocupar o lugar que foi seu mais de 15 anos. O eclesiástico também rebateu as críticas sobre ser um bispo político.
Logo no início da entrevista, Dom Luiz fez questão de ponderar o sucesso da Festa da Penha deste ano. De acordo com o arcebispo, as festividades estão cada vez mais animadas, o que tem atraído cada vez mais fiéis. Ele declarou que o fato deste ano ser o ano do laicato valorizou os leigos, o que foi um dos pontos fundamentais para o aumento do número de pessoas.

Números apontam que, durante toda a festa, cerca de 1,5 milhão de pessoas estiveram “aos pés de Nossa Senhora”, como o próprio bispo afirmou. Isso significa um crescimento de quase 400 mil pessoas em comparação com 2017.

Foto: Pedro Cunha
Foto: Pedro Cunha

De saída
Mesmo tendo anunciado, em 2017, que estava deixando o comando da Igreja Católica da Grande Vitória, o epíscopo se estende no cargo. Ele garante que, dessa vez, foi, de fato, a última vez a frente das festividades de Nossa Senhora da Penha. Segundo Dom Luiz, como é de costume aos 75 anos, ele enviou uma carta de renúncia ao Papa Francisco, que pediu para que ele ficasse no cargo por mais um tempo.

Apontado como um bispo político, ele leva isso com bom humor e questiona: “quais ações políticas que eu tomei?”. Vilela diz que não possui nenhuma e é contra alianças político-partidárias. Segundo ele, político todos são. “Políticos todos nós somos, porque toda ação é política, mas político-partidário não”.

O arcebispo ainda salientou que, para dizer o que deve ser dito, nenhum bispo deve se omitir, desde que seja palavra do Evangelho, e que não é papel do religioso condenar alguém. “Dizer a verdade segundo o Evangelho para que a humanidade cresça em humanidade, isso sim eu fiz. Então se estão falando que eu sou político, fico até honrado com isso”.

Sucessão ainda é uma incógnita
“Eu serei o último a saber”. Foi assim que Dom Luiz Mancilha Vilela respondeu sobre a escolha do próximo arcebispo de Vitória. O religioso explicou o processo, que consiste em uma pesquisa secreta entre os arcebispos do Brasil e entre os bispos da região Leste 2 – Minas Gerais e Espírito Santo. Nesta fase a procura é do perfil do bispo para uma cidade como Vitória. Depois de uma triagem, a decisão final fica sob responsabilidade do Papa Francisco.

Ao entregar o cargo, Dom Luiz continua como bispo, mas tira de si a responsabilidade de governar a Diocese. Segundo o religioso, o título de arcebispo emérito, como foi dado a seu antecessor, Dom Silvestre Luiz Scandian, é um elogio àqueles que se aposentam, mas que ele não sabe se é emérito. Porém, afirmou que continuará na missão de evangelizar, atendendo confissões e celebrando missas. “Por enquanto é por aqui mesmo”, ele ponderou, “oculto, sem chamar atenção, sem atrapalhar a ninguém”.

Dom Luiz Mancilha avaliou os mais de 15 anos de seu episcopado. Para ele, é muito difícil falar de si mesmo, mas afirmou que se não vangloria de nada e que está tranquilo. “Dei a minha vida pela Igreja”, declarou, “a história vai dizer se minha ação aqui nessa Arquidiocese foi positiva ou não”. Segundo o arcebispo, seu desejo sempre foi seguir mais perto de Jesus possível do pastoreio. “É claro que isso era uma missão que ninguém consegue, mas é a meta”.

Quando indagado se sai do cargo com sentimento de dever cumprido, Dom Luiz é categórico: “Se foi um trabalho muito bom, se não foi, cabe a Deus julgar”.

Texto de Pedro Cunha
digital@eshoje.com.br

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