O dólar teve nesta quinta-feira, 17, a terceira alta seguida, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e com as mesas de operação na expectativa por novidades sobre a reforma da Previdência. Na sessão, o dólar à vista encerrou em alta de 0,42%, a R$ 3,7484, a maior cotação de fechamento desde 3 de janeiro (R$ 3,7579). O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve dar mais detalhes do projeto durante o Fórum Econômico Mundial, na semana que vem na Suíça. Dos seis últimos pregões, o dólar subiu em cinco e o real deixou de ser a moeda que mais ganhou valor perante a divisa americana no começo deste ano. Entre as principais divisas de emergentes, o dólar caiu mais na Rússia (-4,16%) e na África do Sul (-4,20%), enquanto recuou 3,28% aqui.

Pela manhã, o dólar chegou a bater em R$ 3,77, o que fez alguns agentes acionarem mecanismos para reduzir perdas, o chamado “stop loss”. Operadores ressaltam ainda que, quando a moeda superou os R$ 3,73, atraiu vendedores. Pela tarde, desacelerou o ritmo de alta, acompanhando a perda de fôlego da moeda no exterior, sobretudo ante o peso mexicano, e a notícia de que Guedes dará detalhes sobre a reforma na Suíça. O texto da reforma ainda não está fechado, mas deverá ser apresentado ao presidente Jair Bolsonaro antes da viajem para o evento, que vai dos dias 22 a 25.

A falta de novidades mais concretas sobre a Previdência manteve o mercado em compasso de espera nos últimos dias, na medida em que boa parte da melhora dos preços do real e de outros ativos locais se baseou em expectativas sobre o texto. A avaliação do Bank of America Merrill Lynch é que a aprovação do texto permanece desafiadora, mas as perspectivas de governabilidade de Bolsonaro melhoraram. “O apoio de partidos do centro e a composição mais à direita do Congresso podem aumentar a governabilidade e ampliar as chances de aprovação das reformas”, destacam os economistas David Beker e Ana Madeira, ressaltando que o apoio do PSL para a reeleição do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) é positivo para o avanço das medidas.

Se o texto e outras medidas de Bolsonaro, como a agenda de privatizações, avançarem como o esperado, o BofA projeta que o Brasil vai receber mais recursos externos, tanto para o mercado financeiro como para investimentos, e o dólar pode terminar o ano na casa dos R$ 3,60. O banco projeta que o investimento externo direto deve crescer para US$ 90 bilhões em 2019, ante US$ 85 bilhões do ano passado. Ainda entre os bancos estrangeiros, o HSBC avalia que o Brasil é um dos emergentes mais atrativos este ano. A instituição, porém, está mais pessimista sobre o real e vê o dólar na casa dos R$ 3,80 nos três primeiros trimestres deste ano e em R$ 3,90 em dezembro.

Altamiro Silva Junior
Estadao Conteudo
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