Depois do estresse da quarta-feira, o dólar teve um dia mais calmo hoje e fechou em baixa de 0,37%, a R$ 3,8593. A falta de pressão da moeda norte-americana no exterior, em meio a declarações em tom mais conciliador de Donald Trump sobre o comércio dos Estados Unidos com a China e a União Europeia, ajudou o mercado doméstico e o Banco Central não fez intervenções no câmbio nesta quinta-feira, 28. Mesmo assim, o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, voltou a afirmar que o BC segue monitorando e vai seguir perto do mercado para dar liquidez quando necessário. O dólar caminha para fechar junho em alta e, até hoje, sobe 3,39%.

Hoje foi o quarto dia sem leilão extraordinário de swap cambial, mas Ilan reforçou na parte de manhã que não há problemas de o BC ir “consideravelmente” acima dos estoques máximos de swap atingidos no passado, de US$ 115 bilhões. O estoque atual está em US$ 67 bilhões. Hoje, o BC só fez o leilão para rolagem dos contratos de swap que venceriam em 2 de julho, encerrando hoje a operação em US$ 8,762 bilhões.

A falta de pressão no dólar ante as divisas de emergentes, aliada a um cenário interno mais calmo hoje, ajudou a manter a moeda em queda durante boa parte do dia, depois de uma sessão mais volátil logo no início da manhã. A pesquisa CNI/Ibope agradou o mercado ao mostrar falta de fôlego do pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, na corrida à Presidência da República. Após a divulgação da pesquisa, o dólar bateu mínimas, na casa dos R$ 3,83.

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, apesar da trégua de hoje a tendência é que o dólar continue pressionado, seja pelo cenário externo mais adverso, seja pelo aumento da incerteza no mercado doméstico por causa das eleições. Nas pesquisas de intenção de voto, ele avalia que o dólar só cederia de forma mais expressiva se um nome mais pró-mercado despontar. Por conta dos cenários mais adversos tanto interno como externo, Rosa ressalta que as pesadas intervenções do BC têm dado pouco resultado.

Além da pesquisa do Ibope, os agentes do mercado gostaram do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado hoje pelo BC. Para o economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, o documento reforça a visão de que não há pressa no BC para elevar os juros, dado o quadro ainda benigno para a inflação e a atividade econômica muito fraca.

Altamiro Silva Junior
Estadao Conteudo
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