médico_pai e filhosSer pai não é uma tarefa fácil: corre de um lado, cuida do outro, conversa, dá conselhos… Quem pensa que só as mães que se desdobram para cuidar da prole, está enganado! E essa participação na vida e no dia a dia dos filhos pode influenciar nas escolhas deles, levando-os, em alguns casos, a escolher a mesma profissão do pai ou da mãe.

Um desses casos aconteceu com o cirurgião vascular João Sandri, 67 anos, que já pensava em ser médico aos 14 anos, após sofrer um acidente com um rojão. Ele teve os passos seguidos pelos filhos Pietro e Juliano, na mesma especialidade, tendo a chance de atuarem no mesmo hospital. João relembra o momento em que escolheu a profissão: “Eu tinha 14 anos. Foi no dia 13 de junho de 1964, quando durante uma festa de Santo Antônio machuquei a minha mão com um rojão e fui parar no antigo Hospital São José, no centro de Vitória, hoje Hospital Estadual Central (HEC). Naquele dia, olhei para o médico que me atendeu e disse que era isso que eu queria fazer”.

Ele cursou medicina e contou que, ao longo da carreira, sua casa sempre foi uma espécie de “base” onde a equipe médica se encontrava para discutir novidades, estudar, fazer reuniões, preparos para congressos, e os meninos sempre acompanharam essa movimentação. Mesmo sem saber, os filhos estavam sendo envolvidos pelo desejo de se tornarem médicos, e, há cerca de 15 anos, ambos manifestaram a intenção de seguir os passos o pai.

“Foi tudo muito espontâneo. Em momento algum eu disse que eles deveriam seguir a minha profissão. No entanto, quando tomaram a decisão, eu fiz apenas uma exigência: que fizessem um intercâmbio para aprender a língua inglesa, pois o inglês é a base de tudo na medicina. Foi assim e deu certo”, contou.

Sandri destaca que, ao contrário do que muita gente pensa, ser médico não impede o pai de acompanhar o crescimento dos filhos e frisa que sempre esteve por perto, participando das decisões na vida dos meninos. Ele se diz orgulhoso de ver que os filhos seguiram sua profissão. “É muito bom ver os colegas elogiando a gente trabalhando junto. O fato de ter a mesma profissão nos permite passar mais tempo juntos, ligar a qualquer hora da noite para trocar opinião sobre determinados procedimentos. Tenho que dizer que de vez em quando acontece algum desentendimento, mas isso é bom. Sempre tem uma troca de experiência e um pedido de opinião. Tenho muito orgulho e tudo isso define o que sinto pela minha família. É muito gratificante”, contou.

Atualmente, João Sandri trabalha com o filho Pietro no HEC. Juliano, que já atuou na unidade, está nos Estados Unidos, onde termina uma especialização, e retorna em setembro para atuar junto com o pai e o irmão. O patriarca, que tem dois netos e aguarda a chegada do terceiro, torce para que os pequenos sigam a mesma profissão.

“A gente não tem como adivinhar o futuro, mas se eles optarem pela medicina ficarei muito feliz. A minha história e a de minha família me deixa muito orgulhoso. Acho que fiz as coisas certas. Inspirei meus filhos e tenho certeza que alguns alunos e colegas de profissão”.

“Queria ser igual a ele”
Bombeiros, policiais e até astronautas. Essas são as respostas da maioria dos meninos quando perguntados sobre qual profissão querem seguir na idade adulta. Diferente do restante da turma, desde pequeno, o Vitor, Clínico Geral do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, queria ser médico.

“Eu sempre fui muito ligado ao meu pai. O exemplo de responsabilidade, de caráter e de trabalho, além da dedicação à família eram muito presentes dentro de casa. Nunca pensei em seguir outra carreira que não fosse a de médico, queria ser igual a ele”, contou Vitor Rasseli Dalla Bernardina, de 27 anos.

Hoje, depois de longos seis anos entre faculdade e a residência em Clínica Médica, o Vitor ainda não chegou ao seu objetivo. O sonho de seguir a carreira do pai, o cardiologista Almecyr Dalla Bernardina, ainda precisará de alguns anos de estudos. “No final do ano vou fazer a prova para a residência em Cardiologia e aí vou precisar de mais dois anos de estudos para ser igual ao meu pai”, explicou o médico.

Agora, os também colegas de profissão dividem casos clínicos, rotinas médicas e o dia a dia de hospitais, clínicas e plantões.

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