Os juros futuros fecharam a sessão regular em queda nesta terça-feira, 17, tanto nos contratos de curto quanto nos de longo prazo, mas as taxas que mais recuaram foram as dos vencimentos do chamado “miolo da curva”, que têm concentrado a liquidez. As taxas bateram mínimas na última hora, acompanhando o movimento do câmbio. O dólar à vista, que até o meio da tarde exibia baixa discreta, ampliou o ritmo e bateu mínimas, que levaram a moeda abaixo dos R$ 3,84, refletindo desmontagem de posições compradas no mercado futuro.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 encerrou em 6,715%, de 6,783% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2020 caiu de 8,20% para 8,08%. A taxa do DI para janeiro de 2021 terminou em 9,11%, de 9,18% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 10,57%, de 10,66%, e a do DI para janeiro de 2025 fechou em 10,25%, de 10,34%.

Mesmo antes das mínimas do dólar, os juros já se firmavam em queda desde o fim da manhã, determinada pela reação do mercado às declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, durante sabatina no Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que mostrou uma visão otimista sobre o desempenho da atividade econômica, também sinalizou postura gradualista na condução do aperto monetário, argumentando que essa “é a única forma que temos para estender a expansão econômica”. O dirigente disse que o mercado de trabalho em solo americano está forte, mas pelo crescimento moderado dos salários, não causa alta da inflação.

Na avaliação da economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Helena Veronese, o que mais agradou foi justamente a sinalização “de que a inflação está subindo por causa de combustíveis e não por causa dos salários”. “Isso reforça a leitura do gradualismo. Não que seja novidade, mas acaba fazendo preço num dia em que a agenda e o noticiário estão fracos”, comentou. Segundo Helena, no entanto, a curva longa ainda preserva prêmios relacionados às incertezas fiscais e com as eleições.

Nesta tarde, o Broadcast Ao Vivo Interativo entrevistou o economista Mauro Benevides Filho, responsável pelo capítulo econômico do programa de governo do pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes. Ele disse que, entre as propostas do pré-candidato está a recomposição fiscal do País, o estímulo ao investimento privado e a manutenção da regra de ouro, mas haverá remodelagem da PEC do teto dos gastos. Ainda afirmou que, de seis pontos do programa, cinco têm convergências com o chamado Centrão, e que num eventual governo Ciro o Banco Central continuará com independência operacional.

Nos demais ativos, o dólar fechou em queda de 0,46%, aos R$ 3,8450. Na mínima, chegou a R$ 3,8389.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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