Crédito: Dayana Souza
Crédito: Dayana Souza

O ex-governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), recebeu R$ 1,8 milhão da Odebrecht nas eleições de 2010, afirmou Sérgio Neves, ex-superintendente da empresa em Minas Gerais e Espírito Santo. Na tabela da Odebrecht, o socialista era chamado de ‘centroavante’.

No depoimento, Neves contou que o 1º pagamento foi em 2010 no escritório da Odebrecht na praia de Botafogo, no Rio de Janeiro.  Casagrande teria solicitado aos executivos da empresa a doação de R$ 1,8 milhão. O valor seria para custear a sua campanha para o governo do estado. A quantia, de caixa dois, foi paga em sete parcelas de R$ 250 mil e uma de R$ 50 mil, entre 20 de julho e 16 de setembro de 2010.

“Algumas partes do dinheiro foram entregues em Belo Horizonte (MG), em um apart hotel chamado Clan Villa Ema, no bairro Santo Antônio, enquanto que outras foram em hotéis de São Paulo. Ficou estabelecido que Paulo Brusqui seria o link no dia a dia da construtora. Ele é quem recebia esses pagamentos”, relatou Neves.

Em 2012, para as eleições municipais, uma nova reunião com os executivos da empresa aconteceu. Desta vez,  Brusqui teria pedido dinheiro para financiar a campanha do então candidato a prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS).  “Nós efetuamos uma contribuição no valor de R$ 500 mil, via setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, com o pagamento feito em Vitória. A reunião foi na sede do Governo, com a presença do governador, Paulo Brusqui, Benedicto e eu. A Odebrecht tinha interesse em manter uma boa relação com os políticos de lá (do Estado). Tínhamos interesse em projetos de infraestrutura e, na época, Casagrande tinha projetos como o túnel entre Vitória e Vila Velha, a Quarta Ponte, o projeto de Saneamento e o BRT, que, por vocação, tínhamos interesse”, afirmou Neves. Segundo ele, Brusqyi oferecia aos executivos a priorização desses projetos e dizia que a Odebrecht seria contemplada.

“Estive com ele em algumas oportunidades tratando no Palácio sobre estes assuntos. Nenhum dos projetos foi concretizado na gestão de Casagrande. Ele chegou a lançar duas licitações, para a Quarta Ponte e o BRT, em que nós fomos pré-qualificados, mas não foi em frente. Eram sempre eles que nos procuravam pedindo a solicitação da doação. No plano de governo ele apontava os projetos que tinha e aí nós começamos a ter interesse. A primeira abordagem é um pedido, sem atrelar nada. É uma aposta”, explicou Neves aos procuradores da República.

Ainda no depoimento de Sérgio Neves, Brusqui voltou a pedir doações para Casagrande, que se candidatou a reeleição ao governo do estado em 2014. A reunião teria ocorrido com executivos da Odebrecht, em Botafogo, no Rio.

“Ele estava um pouco magoado, parece que tinha uma cisão com o grupo de Hartung, então ele frisou que os valores repassados a ele fossem similares aos valores para Hartung. Foram R$ 770 mil para o PSB, para Casagrande. Neste caso, a empresa determinou que fosse feita de forma oficial. Não sei se foi o mesmo doado a Hartung, quem tratou com Hartung foi o próprio Benedicto”, contou.

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Casagrande nega acusação

O ex-governador do Estado, Renato Casagrande (PSB) negou, por nota, as acusações de Sérgio Neves, ex-superintendente da Odebrecht. Segundo a nota, afirmou que nunca tratou  de assuntos referentes à campanha eleitoral no Palácio Anchieta. Confirmou que em 2010 foi ao Rio de Janeiro para solicitar recursos para a campanha de governador. Mas  não teria  específico valor.

O ex-governador do Estado, Renato Casagrande (PSB) negou, por nota, as acusações de Sérgio Neves, ex-superintendente da Odebrecht. Segundo a nota, afirmou que nunca tratou  de assuntos referentes à campanha eleitoral no Palácio Anchieta. Confirmou que em 2010 foi ao Rio de Janeiro para solicitar recursos para a campanha de governador. Mas  não teria  específico valor.

Confira a nota na íntegra:

Diante dos últimos fatos divulgados pela imprensa com relação à delação dos ex executivos da Odebrecht envolvendo meu nome, esclareço:

1- Nunca tratei de assuntos referentes à campanha eleitoral na sede do Palácio Anchieta com a Odebrecht, nem com nenhuma outra empresa; as reuniões relatadas pelos delatores sempre abordaram assuntos institucionais e de interesse do Estado;

2 – Em 2010, fui ao Rio de Janeiro a uma reunião com o Superintendente da empresa, Benedito Junior, para solicitar recursos para a campanha de governador, porém, não explicitei valor específico, como relatado pelo delator, muito menos que fosse por via ilegal;

3 – Em 2012, não solicitei recursos para as campanhas do PSB ou aliados diretamente no ES. Isso foi feito pela direção nacional do Partido, que arrecadou e repassou aos Estados.

4 – Em nenhum momento houve, de minha parte ou da equipe, qualquer negociação referente a obras ou serviços no Estado, prova disso é que a empresa não fez nenhum contrato no meu período de governo.

5 -Já solicitei o levantamento de toda documentação referente às prestações de contas das minhas campanhas e providenciarei as informações sobre a forma como foram efetivadas, até porque as delações misturam doações oficiais com outras supostamente não oficiais.

6 – Esclareço que a administração financeira da campanha era realizada por equipe especialmente indicada para esse trabalho, que era responsável pela arrecadação, aplicação e prestação de contas dos recursos junto à justiça eleitoral.

7. Permaneço à disposição para novos esclarecimentos

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