Faz parte da fragilidade humana cair no erro, mas é próprio da grandeza humana dispor de RESILIÊNCIA. Só o ser humano é dotado da possibilidade de tomar a firme decisão de dar a volta por cima, levantar-se e partir de novo para encarar uma jornada que não seja simples xerox de outras passadas, mas para enfrentar uma NOVA JORNADA, RESSUSCITADA, fortalecida pelas provas, irrigada pelas lágrimas, enriquecida pela experiência, fecundada pelos sonhos e impregnada de paixão pela vida.

Na minha experiência de “padre de rua” aprendi que as palavras mais significativas do dicionário do caminho da fé começam todas por um prefixo de só duas letras: RE.

São as palavras re-começo, re-nascimento, re-conciliação, re-viravolta, res-significação, re-novação, re-denção, re-ssurreição…

RE é um monossílabo determinante, pois nos lembra que na vida não dá para desistir. É possível recomeçar sempre, qualquer que seja o ponto de partida. Recomeçar é uma oportunidade que nunca deve ser negada e nunca deve ser a última, mas deve ser oferecida a todos, SEMPRE, toda vez que for necessária.

Não se trata, porém, de qualquer re-começo, mas daquele que coloca a vida no caminho rumo ao crescimento para mais liberdade, mais reta consciência e mais amor pela vida.

Oportunizar esse RE-COMEÇO é o SERVIÇO que a comunidade cristã é chamada a oferecer, sobretudo em relação a quantos acabam se enrolando no erro e perdendo o rumo certo da vida. Por mais profunda que seja a queda a chance de sair do buraco é proporcional ao tamanho do apoio da comunidade e da fé na Graça de Deus sempre pronta a socorrer o ser humano em suas fragilidades. O que não pode faltar é a crença que o ser humano é muito mais dos erros que comete.

Essa abertura para o RE-COMEÇO faz-se necessária, sobretudo nas pessoas que trabalham no sistema penitenciário  e socioeducativo.  Estas devem estar dispostas e RE-VER seus paradigmas e a se envolverem na CONSTRUÇÃO de um sistema socioeducativo e penitenciário fonte de oportunidades para os internos ressignificar suas vidas. Rotular as pessoas como “irrecuperáveis” é assinar um ato desistência por incompetência. Investir tempo e energias para ver o trigo tomar o lugar do joio é um ato de fé naquela semente de Vida do Eterno que foi plantada no coração de toda pessoa e que pode brotar logo que tiver uma boa oportunidade. Vamos oferecer essa oportunidade. Vamos na onda da esperança de Deus. A Pastoral do Menor e a Pastoral Carceraria  renovam sua disponibilidade a colaborar com esse processo de RE-CONSTRUÇÃO. Afinal das contas, A VIDA, para todos nós, É A INFINITA PACIÊNCIA DE RECOMEÇAR.
(Pe. Xavier Paolillo, Missionário Comboniano, Cedhor/PB, Pastoral do Menor e Carceraria da Arquidiocese da Paraiba )

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