Foto: Bianca Nascimento/Secom-PMS
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Em apenas 90 dias, o estudante Arthur Barbosa, de 7 anos, aprendeu a ler e escrever. O começo foi difícil, pois, ao se matricular em uma escola da Serra, ele não sabia nem escrever o próprio nome. A mudança só foi possível porque ele tem duas professoras em sala de aula, um reforço para acelerar o aprendizado e aplicar o conteúdo necessário. A iniciativa faz parte do projeto Mais Alfabetização, presente em 62 escolas da Serra. Uma delas é a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Flor de Cactus, em Feu Rosa. Segundo a pedagoga Vânia Rodrigues, somente nesta escola seis turmas têm professora assistente.

São crianças que precisam ser educadas para que não façam parte de estatísticas de analfabetismo do IBGE, cujos últimos dados divulgados mostram que a taxa de analfabetos com 15 anos ou mais de idade no Brasil era de 7% em 2017. Em números absolutos, a taxa representa 11,5 milhões de pessoas que ainda não sabem ler e escrever.

Depois de 10 meses de implementação do projeto nas escolas municipais da Serra, a subsecretária pedagógica da Secretaria de Educação, Lêda Calente, garante que os alunos têm duas vezes mais facilidade para aprender o conteúdo. “O assistente tem a função de prestar atendimento individualizado para aqueles alunos que apresentam dificuldade na escrita e na leitura”.

Foto: Bianca Nascimento/Secom-PMS
Foto: Bianca Nascimento/Secom-PMS

A professora Maria Aparecida trabalha há 10 anos ensinando os pequenos na Serra, e é uma das educadoras do projeto Mais Alfabetização. A proposta começou a ser implantada na turma dela em fevereiro deste ano. “O projeto é ótimo. Com ajuda em sala de aula, consigo uma alfabetização incisiva. Alunos, professores e sociedade ganham”, completou.

Maria afirma que cada aluno tem uma necessidade única, e que esses pontos podem ser contemplados com assistência. “Essa é a hora do aprendizado. Agimos no centro da falha para ter um cidadão alfabetizado. Saber ler e escrever é fundamental para a aplicação de novas tecnologias e conteúdos”, disse.

O auxílio na sala de Maria Aparecida é dado pela estudante Camila Ferreira, 32, que se forma em pedagogia no final deste ano. Ao detalhar o trabalho realizado na turma do 1ºC, se emociona ao ver o crescimento de cada aluno. “Para mim, é uma experiência única. Ensinar quem mais precisa é uma das gratificações que tenho como futura pedagoga”, declarou.

Mergulhar na imaginação das crianças é um dos passos para que o conteúdo seja aplicado. Juntas, Maria e Camila compartilham experiências de vida, de emoção e conhecimento para que todos os alunos sintam essa sintonia em sala de aula.

São projetos como esse que garantem aumento, ano a ano, do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica na Serra. Para se ter uma noção, no ano passado, entre as turmas de 4º e 5º ano, as crianças superaram a meta projetada e atingiram 5.6 pontos. O índice é medido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do governo federal.

Para o prefeito Audifax Barcelos, é um projeto de longo prazo. “Melhoramos muito, mas é um projeto a longo prazo. Estamos juntos nesse compromisso, que vem trazendo bons resultados”, afirmou.

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