A expressão é antiga, mas poucas expressam tão bem sua obra e sua vida. De fala mansa em tempos de ruído, mas tonitruante quando o rugido se impunha, não media palavras para dizer a quem merecia ouvi-las, a expressão de seu descontentamento e a medida de seu carinho. Mineiro de costumes simples, porém de inteligência complexa, citava Kant como quem contava os causos de Guimarães Rosa, mestre como ambos na arte de entender os contornos da alma humana, em sua dimensão global, ainda que urdida nos rincões do Jequitinhonha.

Humor fino, ria com os olhos, fechando seu raciocínio com um murmúrio de quem aparentava não ter entendido nada, mas que poucos de nós sabíamos as migalhas de um bolo já há muito comido enquanto ainda levávamos nós o milho para o pilão. Hum? Um gigante na vanguarda de uma instituição que defendeu como um grande leão, postura altiva, músculos morais exuberantes, dentes alvos de ética . Vai fazer falta, chefe! Como vai! Servia à advocacia, nunca se serviu dela. Escondia a Ordem por trás de sua cordilheira de dignidade, porque se tornou em vida maior que ela.

Nunca se permitiu lograr pelo discurso fácil e populista, tampouco bajulou ou pregou a bajulação como estratégia para angariar simpatia ou aliados. Foi-nos desenho de caráter, não caricatura de estadista. Maiúsculo para pouca estatura física, o conservador mais libertário, liderava pelo exemplo, conjugava o verbo sempre no plural. Jamais deixava que a vaidade do “eu primeiro” envergonhasse quem com ele dividia a messe, a liça, o pão.

Homens como ele não morrem, transcendem. Para todos os que o levamos tatuado na alma, homenageá-lo com uma placa seria de uma pequenez extrema. Imagine dar-lhe uma rua, você, do tamanho do mundo! Se a terra capixaba realmente mereceu seus despojos materiais, Agesandro, deveriam ter-lhe enterrado de pé.

Gustavo Varella Cabral é advogado e sócio da Varella, Dall’Orto e Malek – Advogados Associados

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