caso milena 8-50chegadaMais oito pessoas serão ouvidas nesta quarta-feira (17), segundo dia do processo de julgamento do caso Milena Gottardi. A médica foi baleada no estacionamento do Hospital das Clínicas no dia 14 de setembro e morreu no dia seguinte. Na terça foram ouvidas nove pessoas e as que falam, arroladas pela acusação, são as médicas Rachel Lacourt, Bianca Pavan e Aline Coelho, além de Fernanda Coutinho, Livia Maria Araújo, Marcelo Thompson, Ulisses Nascimento de Oliveira e Gustavo Garcia Wierman.

As pessoas que prestam depoimento neste segundo dia de audiências são funcionários do Hospital das Clinicas, entre médicos e profissionais que atuavam com a vítima, mães de crianças que estudavam com as filhas de Milena, um vizinho e até duas pessoas contratada pelo mandante do crime, o ex-marido da médica, o policial civil Hilário Frasson.

O primeiro depoimento, que começou as 9h15 e terminou às 10h20, foi o da médica Rachel Lacourt, que trabalhava com Milena. Bianca Pavan, amiga da vitima,  falou logo depois e encerrou pouco após as 11h. A última a se pronunciar será Aline Coelho, que também era colega de trabalho da vítima.

Primeira audiência

No primeiro dia falaram a advogada de Milena, Ana Paula Protzner, o delegado Janderson Lube, o investigador Igor de Oliveira e a amiga de Hilário, Edineia Alvarenga. Sem a presença dos réus prestaram depoimento, ainda, a prima Shintia Gottardi, a amiga, Marcelle Gomes, e a médica Maria Izabel – que estava com Milena na hora do crime -, a mãe de Milena, Zilca Maria Gottardi, o irmão, Douglas Gottardi. A emoção fez com que a fala da mãe fosse suspensa por três vezes e as oitivas foram encerradas próximo à meia-noite.

Milena foi assassinada em crime arquitetado pelo marido. Foto: FB
Milena foi assassinada em crime arquitetado pelo marido. Foto: FB

Segundo fontes da justiça, entre os depoimentos estiveram relatos de agressões sofridas por Milena por parte do ex-marido. Hilário e o pai, Esperidião Frasson são os acusados de mando. Segundo uma das testemunhas, a médica, cansada de violências verbais e sentindo como isso vinha dificultando o desenvolvimento da filha mais velha, tomou a decisão de se divorciar. E, embora se sentisse melhor não estando sob o mesmo teto que o policial, vivia sob ameaças.

“Com a separação Milena fala que estava se sentido mais mulher. Hilário mandou um áudio gritando. Ouvi nítidas ameaças de Hilário contra Milena dizendo: ‘Eu vou te matar sua filha da p… Você não me atende por que? Você tá onde?’. Milena falou que não fazia ocorrência(na polícia) por causa da filha”.

Outro parente chegou a dizer que não só a vítima sofria com as ameaças, mas toda família. “Hilário passou a fazer ameaças aos nossos familiares, dizendo que tinha influência no Tribunal de Justiça, o que levaria facilmente a conseguir aguarda das filhas e obter outras vantagens na ação de divórcio”.

Os demais acusados pelo crime são Dionathas Alves (executor); Hermenegildo Palauro e Valcir Dias (ambos apontados como os intermediários do crime), e Bruno Rodrigues Broetto, que roubou a moto usada pelo autor dos disparos.

Dionathas Alves Vieira, assassino
Dionathas Alves Vieira, assassino

Ameaças entre réus

O policial civil Hilário Frasson, acusado de mandar matar a esposa, Milena Gottardi, teria tentado intimidar o executor do crime, Dionathas Alves. É o que afirmou o advogado Leonardo Rocha, que defende Dionathas. Segundo Leonardo, isso teria acontecido no térreo do fórum, antes que os acusados subissem para a audiência do caso.

“Isso foi lamentável. Estamos alertando desde o início que o Dionathas relata seu temor em relação aos demais acusados. E ontem ele disse ao juiz que o Hilário o propôs trocar de advogado, porque eu estava atrapalhando o interesse dele. E que ele pagaria um novo advogado, para que com isso pudesse tirar todas as acusações contra os demais acusados do processo. Disse que ajudaria a família do Dionathas. Ele chegou na sala de audiência apavorado, assim como o Bruno. Eu relatei isso ao juiz, que de imediato mandou abrir um inquéritos policiais polícia para esclarecer os fatos. Determinou mais uma vez o isolamento dos demais, tanto aqui quanto no tribunal. Para verem a audácia dos acusados”.

Disse ainda que a conversa aconteceu entre Valcir e Hilário. No salão do júri os acusados estão lado a lado, mas são vigiados por um agente penitenciário.  “Quero que eles fiquem distantes um do outro, sem contato sequer visual. Dionathas e Bruno estão realmente amedrontados com as informações que estão trazendo”.

Apesar desse episódio, Leonardo Souza avaliou como positivo o primeiro dia de audiências. “O primeiro dia foi muito esclarecedor, para esclarecer, no caso de Bruno, o que estamos dizendo desde o início: ausência de provas e objetivas claras da participação, ciência e adesão dele ao crime. Sobretudo com o depoimento da autoridade policial e do investigador, e inclusive esclareceu que nem o roubo da moto foi provado. Então, para a defesa no que diz respeito ao Bruno, foi muito proveitoso”, explicou.

E acrescentou:  “Com relação ao Dionathas também foi proveitoso no sentido de que confirmou o que já dizemos desde o início também, que ele vem colaborando. A médica que estava junto com a Milena confirmou que reconheceu ele. O delegado confirmou que foi Dionathas que levou a equipe de policiais onde estava a moto e todos os demais foram presos, com exceção do Hilário, de que desde a morte de Milena já se suspeitava dele, mas os demais acusados foi a colaboração do Dionathas que ajudou a tudo ser desvendado”.

O advogado de Hilário, Homero Mafra, também se mostrou satisfeito: “Não teve ódio nos depoimentos da família, eles tiveram postura tranquila e os depoimentos foram esclarecedores”, avaliou.

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