21641526_10213763062131561_622268455_nDepois de arrasar ilhas caribenhas e provocar enchentes no estado americano da Flórida, o furacão Irma perdeu força e virou uma tempestade tropical. Mais de 40 pessoas morreram, nove nos Estados Unidos. Duzentos e dez quilômetros por hora foi a intensidade que o olho do Irma entrou no continente, e foi assim que a cidade de Naples ficou quando os ventos se acalmaram: alagada e com árvores destroçadas.

No conjunto de ilhas conhecidas como Flórida Keys, onde o Irma chegou no domingo (10) pela manhã, os danos foram ainda piores. O vento jogou barcos sobre ruas. Tirou casas do chão.

Os brasileiros que estão a passeio ou residência nos Estados Unidos e Porto Rico, rotas do furacão Irma, relataram a ESHOJE o que viram e sentiram, e como está atualmente, após ventos de 230 km, inundações e mortes (38 no Caribe, 9 nos EUA e 3 em Porto Rico). Segundo eles, agora há segurança, mas os sinais estão por todos os lados, com árvores no chão e sinais pendurados.

Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), o Irma é o maior furacão já registrado no Oceano Atlântico na história. A brasileira Kamila Reis Antico mora em Boca Raton e contou que a região onde ela vive foi pouco atingida, apesar de muitos ventos, chuvas, queda de árvores e portões de casa. Disse ainda há inundações na rua, mas ela não chegou a invadir a residência e a luz retornou as 6h desta segunda-feira (11).

“A área de Key West, em Miami, foi destruída. O lado West da Flórida também. Mas graças a Deus, onde eu moro está tudo normal, passou longe da minha casa. Mas era tão grande que senti os ventos. A frente da minha casa está tapada com a tela”.

21585026_10213763037930956_396912484_nA costureira Geneci Fernandes mora nos Estados Unidos há 30 anos, também em Boca Raton. Conta que já presenciou a passagem do furacão Andrew em 1992, que causou a morte de 23 pessoas na Flórida e Louisiana (além de três nas Bahamas) e danos no valor de US$ 26,5 bilhões, dos quais US$ 25 bilhões corresponderam apenas à península da Flórida. Mas nada como o Irma.

“Não sei o que é pior: a espera pela furacão ou a devastação. Tem árvores caídas, estamos sem luz e sinal de trânsito. Moro próximo a praia e ele passou longe daqui, mas ontem, às 14h30, parecia que o mundo estava acabando de tanto chuva e vento. Estou bem próximo a praia e havia possibilidade de inundação. E ele mudou para categoria 3. Se fosse a 5 haveria muitas mortes”, afirmou.

O jornalista Newton Massao Takahar mora em Orlando, próximo a Disney, há sete anos. Conta que a região dele foi pouco atingida, apesar das chuvas. “Sai na rua agora, há poucos galhos caídos. A luz piscou mas não chegou acabar. Também não precisamos utilizar água que acumulamos. Guardamos comida que não precise de fogão, porque aqui tudo é elétrico. Se acabar, você não tem nada. Está tranquilo, menos do que eu esperava”.

O ator Vinícius Moulin foi para Miami Beach com um grupo de intercambistas adolescentes, em um local de frente para a praia. Mas o Irma cresceu para categoria 5 e migrou para Miami, o que os deixou preocupados. Quando o governador da Flórida pediu evacuação, eles fizeram de tudo para sair da área.

“Como estava cuidado desses adolescentes com mais duas professoras, nos vimos tendo que sair. Tentamos carros e passagens de avião, mas conseguimos um ônibus e viemos para Washington, D.C. Enfrentamos 24 horas de trânsito, porque era intenso. Mas desde o começo a escola de Miami e o Estado da Flórida se mostraram preparados para isso. Me pareceu tudo muito organizado. Todo mundo comprou mantimentos e água. Mesmo com trânsito, ninguém tentava passar pelo acostamento na frente do outro. Respeitavam e tentavam se ajudar. Agora está tudo bem. Estou longe do furacão e parece que ele não vai atingir Miami. Se Deus quiser ficará tudo bem”.

Porto Rico

O Irma passou na última quarta-feira (6) como categoria 5 pelo noroeste de Porto Rico, provocando a morte de três pessoas e danos nas estradas e no sistema elétrico. A brasileira Dominike Essenfelder mora em Carolina, no município de San Juan. Ela se mudou com quatro filhos para o país há três meses e foi pega de surpresa.

“Levamos um susto. Como assim um furacão? Estou aqui há três meses. O último forte foi em 98, o Hugo. Eu não acreditei, mas dois antes as noticias ficaram mais alarmantes. Começamos a ficar com medo e muito apreensivos. Saíamos na rua e víamos pessoas comprando água, enlatado e muitos pedaços de madeira para colocar nas janelas. Coisa de filme, que eu só vi em televisão”.

GINÁSIO EM Guaynabo PORTO RICODisse ainda que foi ao mercado várias vezes quando dava falta de alguma coisa e ouvir que precisava de mantimentos para uma semana. No dia anterior ao furacão, o mais tenso, ela voltou para comprar mais coisas e chegou a arrumar o closet para ficar dentro.

“O furacão veio terça à noite. Na quarta estava um caos. Na quinta o pessoal pôde sair de suas casas. Moro perto de um Walmart que funciona. Seis dias depois, muitas lojas no entorno estão sem luz e sem ar condicionado. Faz calor. As vendedoras estão ao lado de fora. Os sinais de trânsito estão pendurados ou sem funcionar, com guardas em alguns cruzamentos. Mas já temos uma rotina. A maioria dos colégios voltaram hoje às aulas. Estão trabalhando muito para que Porto Rico volte ao normal”, relatou.

O furacão Irma atingiu a Flórida no último domingo (10), perdeu força e agora está na categoria 2, com ventos de até 177 km/h segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC). No Estado, 6,3 milhões de pessoas receberam ordem para abandonar suas casas, e mais de 3 milhões estão sem luz.

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