Perito Fabrício Pelição
Fabrício Pelição foi um dos criadores do novo método (Foto: ESHoje)

Uma pesquisa feita por peritos capixabas desenvolveu novos métodos para detectar o conhecido golpe “Boa-noite, Cinderela”. O resultado da pesquisa foi apresentado no V Encontro Conjunto Anual da Sociedade de Toxicologistas Forenses e da Associação Internacional de Toxicologistas Forenses, que aconteceu de 07 a 11 de janeiro na Flórida, nos Estados Unidos.

O perito bioquímico-toxicologista Fabrício Pelição participou do encontro e informou que o trabalho consistiu em apresentar a avaliação de três procedimentos de extração diferentes para análise forense de crimes facilitados pelo uso de drogas. O método desenvolvido é capaz de detectar 49 substâncias, como benzodiazepínicos, antidepressivos, analgésicos, cocaína, anfetaminas, LSD e outras.

“Apresentamos os resultados das comparações de três métodos executados em laboratório para identificar em amostras de sangue e urina das vítimas de violência as substâncias usadas para reduzir a capacidade de reação da vítima, facilitando assim a prática de crimes de violência sexual, como nos casos de “Boa Noite Cinderela”. Todos os procedimentos demonstraram performance similar e foram capazes de extrair da maioria dos materiais analisados o limite de detecção de substâncias recomendado, sendo que em um dos procedimentos foi possível extrair todas elas”, explicou.

Declarou ainda, para que o resultado do teste feito para detectar as substâncias tóxicas seja bem sucedido, é necessário que a vítima faça o procedimento o mais breve possível. “Quanto mais tempo passa, do momento em que foi ingerido a substancia tóxica, mais difícil fica de ser detectado. Sendo assim, o tempo de coleta de amostra é fundamental para o sucesso na detecção da substância supostamente usada”.

No Espírito Santo, os peritos já utilizam o novo método durante as análises, o que vem contribuindo para solução de crimes narrados por eventuais vítimas do golpe.

O que é o “Boa-noite, Cinderela”?

As substâncias usadas no golpe deixa a vítima vulnerável e, antes de “apagar”, ela acaba muitas vezes fornecendo informações pessoais sigilosas. Segundo o perito, o relatório internacional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) constatou que esse tipo de abordagem criminosa esta crescendo no mundo todo.

“Esse método foi desenvolvido para atender a uma demanda que vem se tornando bastante frequente: a de casos de abuso sexual mediante uso de drogas para deixar as vítimas indefesas. Os números ainda são difíceis de serem determinados e provados materialmente. O problema é que, na maioria dos casos, as vítimas, por vergonha, acabam demorando em procurar assistência, diminuindo a positividade das análises, pois as drogas são eliminadas do organismo nesse meio tempo”, finalizou o perito.

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