Dia desses reli o livro “Grandes Momentos da História da Humanidade”, de Stefan Zweig. Ao longo de quase 300 páginas, o autor retrata aqueles breves momentos que decidiram os séculos seguintes – as denominadas “encruzilhadas da História”.

Extraí do livro uma interessante reflexão: “aquilo que de resto sucede sem sobressaltos, sucessiva e paralelamente, comprime-se num único momento determinante e decisivo para tudo: um sim singular, um não singular, um demasiado cedo ou um demasiado tarde torna este momento irrevogável para centenas de gerações, sendo determinante para a vida de um indivíduo, de um povo e até para o destino de toda a Humanidade”.

Fiquei a pensar no Brasil, que vive precisamente um desses “momentos decisivos” – e precisa, desesperadamente, da sabedoria e da grandeza de cada um de nós para definir o seu destino.

Esta constatação, desde logo registro, não é minha. Aliás, sequer brasileira ela é. Trata-se, em verdade, da conclusão de um longo estudo do Departamento de Inteligência dos Estados Unidos da América, denominado “Global Trends 2025”.

Buscou-se, em minucioso estudo, prever como estará o nosso planeta daqui a alguns anos – um fascinante exercício de raciocínio e pesquisa, que abrange desde a influência das mulheres no processo de paz do Oriente Médio até o impacto da economia no processo de democratização da China.

Sobre o nosso país, os pesquisadores norte-americanos desfizeram algumas ilusões, daquelas que induzem nosso povo a pensar que “já chegamos lá”. Não, nós ainda “não chegamos lá”. Falta-nos um tanto para que o Brasil grande dos nossos sonhos se descortine no horizonte em toda a sua plenitude.

Porém, e eis aí a boa notícia, pode ser que este momento esteja próximo – muito mais próximo do que jamais imaginamos.

Tudo indica que, a partir de 2019, nosso país será o maior exportador de alimentos do planeta, e um dos maiores de petróleo. Esta não é uma previsão absurda, ou mesmo difícil de materializar-se – ela já começa a acontecer, e diante dos nossos olhos.

Esta ventura econômica significará a chegada de um volume imenso de riquezas, talvez o nosso passaporte rumo a um ciclo de desenvolvimento sustentável – em cujo final estará o Brasil dos sonhos de cada um de nós.

Neste ponto, registro que a expressão “talvez”, que acabei de utilizar, não veio sem propósito. E assim porque, ainda conforme o detalhado estudo norte-americano, há um “dever de casa” por ser cumprido: o de aperfeiçoar as nossas instituições.

Eis aí um alerta, e daqueles sérios, para a nossa geração. Se, ao longo desta década, conseguirmos criar as condições institucionais necessárias ao desenvolvimento, tomaremos o rumo que levará a um Brasil mais moderno e justo.

Se, porém, falharmos, uma imensa parte deste excedente de riquezas que está por chegar acabará desperdiçada, e a consequência será um Brasil de crescimento modesto, profundamente conflituoso, marcado por desigualdades sociais agudas e condenado a um novo ciclo de atraso sem data marcada para terminar.

É traiçoeira, a História! Meio que de mansinho vai impondo aos povos momentos decisivos que somente serão percebidos décadas ou mesmo séculos depois. Na longa caminhada dos processos históricos, muitas vezes as encruzilhadas só são percebidas após ultrapassadas – e de forma irremediável, pois que o tempo não volta!

Nossa geração, alheia à gravidade do momento, contempla inerte um país extrativista, injusto e desigual. Sucateia, sem pudores, a infraestrutura que herdamos. E reserva, aos poucos que se revoltam, a pecha de “sonhadores”, daqueles que “atrapalham as coisas”.

Pois é. Será mesmo este país decadente o que entregaremos às gerações seguintes?

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