Ayn Rand foi uma escritora, dramaturga, roteirista e filósofa norte-americana. Escreveu, segundo consta nos idos da década de 1920, um parágrafo que deveria servir de reflexão e alerta para cada ser humano.

Ei-lo: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

Sobre este tema Ruy Barbosa pronunciou, nos idos da década de 1910, outro memorável alerta a partir da Tribuna do Senado Federal: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Abordando a origem histórica deste grave quadro, assim escreveu Bonfim: “Nos grandes, a corrupção faustosa da vida da corte, onde os reis são os primeiros a dar o exemplo do vício, da brutalidade, do adultério. Nos pequenos, a corrupção hipócrita, a família do pobre vendida pela miséria aos vícios dos nobres e dos poderosos”.

Uma outra reflexão já centenária – mas ainda atual – foi aquela oferecida por Theodore Roosevelt, 26º presidente norte-americano: “Por detrás do Governo ostensivo acha-se um Governo invisível, que não deve fidelidade nem reconhece qualquer responsabilidade perante o povo. Destruir este Governo invisível, dissolver esta maligna aliança entre negócios corruptos e política corrupta, há que ser a primeira tarefa de Estado. Este país pertence ao povo. Seus recursos, seus negócios, suas leis, suas instituições, deveriam ser utilizadas, mantidas ou alteradas somente da maneira que melhor atendesse o interesse coletivo”.

Fiquei a pensar em uma pintura de Georges Rochegrosse magistralmente descrita pelo escritor português Albino Forjaz de Sampaio: “É um quadro que representa a vida. No primeiro plano muitas criaturas erguem o braço para chegar mais alto. Homens de casaca tão corretos como se fossem para um baile. Homens condecorados e homens banais, velhos e moços, misturam-se e empurram-se, disputando-se numa agonia pavorosa, num combate sem nome. Aquele monte é a ambição de subir na vida. Atrás, pela riba acima, numa escalada vertiginosa, aparece uma maré cheia de cabeças ululantes, estranguladas pela ambição, correndo, empurrando-se, pisando os que ficam. Todos daquela multidão ávida querem ser os primeiros. O lugar é disputado a soco, a murro, a dente. O caminho que leva ao triunfo é uma cena medonha que mais parece a fuga duma derrota”.

Conta-se que, na Grécia antiga reuniram-se os sábios buscando salvar a República, que ameaçava ruína. Demóstenes, então, levou às mãos uma fruta apodrecida, lançando-a ao chão e exclamando: “É verdade! Nossa República está apodrecida como este fruto! Mas vejam que, do meio da matéria apodrecida, surgem as sementes – porções de vida nova e de esperança. Estas sementes é que deverão merecer nosso especial cuidado”. A propósito, como estão nossas crianças?

Sabemos todos que as coisas da vida passam – e passam muito depressa. Que o digam as centenárias reflexões acima transcritas. Quando menos imaginarmos, chegará o momento de, largando tudo para trás, prestar contas do que aqui deixamos – que não seja um país injusto, destruído e sem futuro…

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