Dia desses, buscando iluminação, passei algum tempo relendo as obras de Confúcio, o sábio chinês nascido no ano de 551 a.C. – vale dizer, há uns 2,5 mil anos. Separei alguns trechos, que gostaria de aqui compartilhar.

Aconselhando os governantes, assim disse ele: “Apenas deseje o bem e o povo será bom. A virtude do cavalheiro é como o vento; a virtude do homem comum é como a grama. Que o vento sopre sobre a grama, e ela com certeza se dobrará”.

Complementou: “Governe-o com dignidade e o povo será reverente; trate-o com bondade e o povo dará o melhor de si; promova os homens bons e eduque os mais atrasados, e o povo ficará tomado de entusiasmo”.

Mais especificamente, alertou os governantes no sentido de que deveriam observar cinco coisas: “Elas são o respeito, a tolerância, a coerência com as próprias palavras, a rapidez e a generosidade. Se um homem é respeitoso, ele não será tratado com insolência. Se é tolerante, ele conquistará o povo. Se é coerente com as próprias palavras, seus semelhantes confiarão nele. Se é rápido, atingirá resultados. Se é generoso, ele será bom o suficiente a ponto de ser colocado em uma posição acima de seus semelhantes”.

Referindo-se à força do exemplo de um governante, assim pregou: “Se um homem é correto, então haverá obediência sem que ordens sejam dadas; mas se ele não é correto, não haverá obediências, mesmo que ordens sejam dadas”. Advertiu, então, que “O povo fica desonesto e manhoso se é governado por artimanhas e castigos”.

Sobre as denominadas “equipes de governo”, ensinou: “Conheça os homens. Promova os justos e coloque-os acima dos corrompidos”. E advertiu: “Mas, se promover os errados e afastar os corretos, você perderá o coração do povo”.

Acerca da importância do sentimento de grandeza, eis sua fala: “Não deixe o ressentimento pessoal se intrometer nas coisas públicas ou nos assuntos particulares”. E: “Uma pessoa que consegue cuidar de sua vida de maneira apropriada lidará com o governo da mesma forma. Mas, se sua vida for inapropriada, seu governo também o será”.

E o mal? O crime? Eis sua palavra: “Como é verdadeiro o ditado que diz que depois que um reino foi governado durante cem anos por bons homens é possível vencer a crueldade e acabar com os homicídios”.

Transcrevo, finalmente, sobre tal tema, este trecho: “Tzu-king disse: “Se houvesse um homem que desse generosamente ao povo e trouxesse auxílio às multidões, o que você pensaria dele? Ele poderia ser considerado benevolente?”.

A resposta: “Nesse caso não se trata mais de benevolência. Se precisa descrever tal homem, ‘sábio’ é, talvez, a palavra adequada”.

E sobre os governados, as pessoas comuns? Basta recordarmos este ensinamento: “Se você tem consciência das próprias palavras e é coerente com elas, e se é determinado e reverente ao agir, então até mesmo nas terras dos bárbaros você progredirá. Mas, se falhar em ser consciencioso e coerente em relação a suas palavras ou determinado e reverente ao agir, então, mesmo na sua aldeia, como conseguiria progredir? Onde você estiver, tenha esse ideal à frente. Apenas então você com certeza progredirá”.

Encerro esta breve coletânea com uma frase tão curta quando sábia: “A virtude está em amar os homens”.

Inacreditavelmente tais palavras, tão belas quanto lógicas, de uma verdade absolutamente evidente, apenas causaram a calúnia, a intriga, a perseguição e o exílio. E eis aí a lição que a História nos deixa: enquanto ideais tão nobres nisso resultam, o seu país – o seu país – mergulha no desentendimento, na corrupção, no cinismo e no desgoverno, entregando-se, apesar de tão rico, a longo período de desigualdade, atraso e crime. E dizer que Confúcio morreu há 2.500 anos!

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