Dia desses, recebendo um casal amigo que acabara de retornar de alguns dias de folga, vi lindas fotografias do litoral capixaba, mais especificamente da região de Piúma. De piscinas naturais em meio às formações rochosas até um mar de cor impecável, tudo encantava os olhos.
         Durante a conversa, comecei a refletir: realmente temos, aqui, um litoral belíssimo, praticamente único no mundo em extensão compatível com o turismo. Seja no Espírito Santo, ou no Brasil, eis aí uma riqueza considerável.
         Voltei alguns anos no tempo, recordando meu saudoso pai a citar uma conversa que manteve nos idos da década de 1970 com o então colega de parlamento Gerson Camata, o qual dizia precisamente sobre o quão nossa topografia dificulta a agricultura e a pecuária, mas facilita a indústria do turismo – e estaria aí nosso grande, e inexplorado, potencial.
         Naquela mesma época o Território de Quintana Roo era completamente ignorado no México. Os mexicanos o viam como um conjunto de selvas impenetráveis, e não havia infraestrutura nem força de trabalho disponível para desenvolvê-lo.
         Eis que, por conta de suas praias espetaculares, o governo decidiu lançar um plano de longo prazo, buscando aproveitar seu potencial turístico. Entre 1974 e 1976 foram abertos os primeiros hotéis de luxo – e eis que, por conta da infraestrutura criada, apenas em Cancun hoje eles já são uns 140, ocupando 25 km de litoral, um atrás do outro. Somam-se a eles marinas, campos de golfe, centros comerciais, restaurantes etc.
         Porém, o milagre não acabou aí: todo o litoral daquela península foi recebendo novos investimentos, um em seguida ao outro. Atualmente, por incrível que pareça, a chamada Riviera Maia contempla nada menos que duzentos quilômetros, preenchidos por cerca de 500 hotéis luxuosos – além de fabulosos parques temáticos.
         Tente visualizar: seria como se, de Vitória à fronteira com o Rio de Janeiro, todo o litoral fosse preenchido por 500 hotéis de luxo – mais de dois por quilômetro – assistidos por uma infraestrutura impecável, e rodeados por atrações imperdíveis.
         São, no total, uns 85 mil quartos disponíveis, visitados a cada ano por uma massa de 3,8 milhões de turistas – que, apenas entre janeiro e novembro de 2014, lá deixaram US$ 7,5 bilhões. Tradução: apenas o faturamento da indústria do turismo do litoral de uma pequena região mexicana equivale a quase 20% do PIB do Espírito Santo (valores de 2012) – e de forma sustentável, sem os efeitos colaterais da poluição e do misterioso pó preto.
         Agora pare e pense, por um instante que seja, na quantidade imensa de riquezas movimentadas, de empregos criados, de tributos arrecadados e, principalmente, de melhoria geral na qualidade de vida de todo um povo. Eis o que, ao longo de 40 anos, um estado mexicano ganhou – e o Espírito Santo deixou de ganhar – através de algo simples como visão estratégica, ações contínuas e planejamento de longo prazo.
         Compare, agora, as duas regiões: ambas tem litorais belíssimos, recortados, repletos de baías e ilhas absolutamente pitorescas, com praias espetaculares. Ambas apresentam condições climáticas excepcionais – pouca chuva e um “ar de verão” o ano inteiro – com leve vantagem para o Espírito Santo, afastado da rota dos furacões, que por lá costumam aparecer em setembro e outubro. E, principalmente, ambas as regiões são habitadas por povos hospitaleiros, bem-humorados e afáveis – um patrimônio de valor inestimável.
         Agora pense a nível nacional, considerando o lindo país no qual vivemos sob o prisma do potencial turístico, à vista do exemplo dado. E fique, então, a meditar sobre Roberto Campos, quando dizia que seremos salvos muito mais pela eficiência do que pela caridade.

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