O que mata mais: poluição ou acidentes de carro? Por incrível que pareça, a poluição! Só em 2012, sete milhões de semelhantes nossos morreram por conta desta assassina silenciosa, que compõe o cenário cotidiano da denominada “civilização moderna” – seja lá o que for isso…
         Só para que se tenha uma ideia, recente pesquisa concluiu que se a Cidade do México, Nova York, Santiago e São Paulo reduzissem em apenas 10% suas emissões de gases poluentes, seriam evitadas 64 mil mortes, 65 mil casos de bronquite crônica e 37 dias de falta ao trabalho a cada ano.
         As pessoas vivem menos por conta disso. Calcula-se que na China a expectativa de vida seja reduzida em 5,5 anos só por conta deste fator. Na Europa, a queda chega a 2 anos em alguns países – aliás, só naquele continente morrem 500 mil pessoas a cada ano vítimas da poluição do ar. Finalizo com um alerta da ONU, no sentido de que uma a cada oito mortes acontecidas neste planeta tem alguma relação com a poluição.
         A poluição não custa apenas vidas humanas – há também os prejuízos financeiros dela decorrentes. Somente o Reino Unido tem prejuízos anuais que montam a 18 bilhões de Euros!  Na Índia, a economia perde incríveis US$ 87 bilhões. No Brasil, um estudo do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo revelou que gastamos R$ 14 por segundo (valores de 2009) para tratar sequelas respiratórias e cardiovasculares de vítimas da poluição – uma salgada conta de uns R$ 442 milhões todos os anos.
         Nossa negligência para com o ambiente já começa a prejudicar as gerações que nos sucederão: recente e extensa pesquisa, realizada em 12 países europeus entre 1994 e 2011, comprovou que grávidas expostas a, por exemplo, emissões de óleo diesel, tem probabilidades 18% maiores de ter filhos abaixo do peso ou deformados. Aliás, constatou-se que a poluição do ar é mais danosa para a saúde de uma mulher grávida que a fumaça de cigarros!
         Poderia, como já deu para perceber, cansá-los com centenas de outras estatísticas que tenho a respeito, relacionando a poluição aos índices de câncer, à maior ocorrência de desastres naturais, ao aumento dos casos de psicopatias e outras doenças mentais, etc. – porém, não é este o objetivo destas linhas, dado acreditar que todos nós já entendemos, ainda que sem reduzir a números, a extensão e seriedade do problema.
         Busco, antes, colocar este tão sério problema aqui, na nossa cidade, na nossa rotina, no nosso cotidiano. Convido-os a refletir sobre o quanto perdem em dias de vida, saúde e até dinheiro os nossos semelhantes que trabalham, por exemplo, ali na Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória, respirando todos os dias e o dia todo uma mistura altamente tóxica de óleo diesel com o tradicional pó preto que nos inferniza.
         Pois é. Será que já não teria passado da hora de olharmos para outros meios de transporte público, mais eficientes e menos poluentes? Será que nosso país, com suas dimensões continentais, acertou ao escolher como matriz de transportes as rodovias, ao invés das ferrovias e portos?
         Responder isto está ao nosso alcance, enquanto Sociedade. Temos, sim, poder de mobilização para enfrentar este e outros absurdos que nos diminuem enquanto cidadãos – aliás, já conseguimos dobrar páginas piores ao longo de nossa caminhada enquanto povo brasileiro.
         Se isto não nos for possível, que ao menos tenhamos o gesto solidário de, lá pelas 18 horas, em alguma movimentada avenida deste Brasil, respirar fundo ao lado de alguém – comerciário, motorista, vendedor de picolés, etc. – permanentemente exposto ao fruto de nossa omissão. Que juntos percamos alguns minutos de vida, celebrando a derrota da raça humana diante do altar da ganância.

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