Por Paulo César Dutra

O fato é que as margens ganharão amplitude inusitada no pleito deste ano. Respira-se um clima de saturação. A água parece poluída em todos os rios e córregos da política. As vontades convergem para a abertura de novos poços. Todos querem beber de uma nova fonte. Há um empuxo das margens criando marolas em direção ao centro. As classes médias, que formam as ondas de opinião, também estão saturadas. Infelizmente, por falta de perfis novos, não vamos ainda inaugurar a Era das Inovações. Mas os ventos que soprarão das margens serão suficientes para arejar os jardins da política.

O que falta a cada um:

Geraldo Alckmin (PSDB): maior arrojo, maior visibilidade nacional, discurso avançado, compromissos com reformas, mais sal no tempero do discurso.
Jair Bolsonaro (PSL): posições menos retrógradas, direcionadas ao Brasil das mudanças e não compromisso com o conservadorismo, menos artilharia no discurso.
Ciro Gomes (PDT): controle da expressão, cuidado para não ferir brios das classes centrais, maior disposição para o diálogo, menos propensão a briga de botequim.
Marina Silva (Rede): menos suavidade e mais pluralismo no discurso, de forma a ampliar os eixos temáticos, maior capacidade para fazer parcerias e disposição para enfrentar a real política.
Álvaro Dias (Podemos): maior visibilidade nacional, discurso afinado às demandas sociais e regionais, articulação para adensar parcerias.
Rodrigo Maia (DEM): ser conhecido em todo o Brasil; consolidar parcerias que o apoiam, abrir o discurso para temáticas sociais.
Manuela D’Ávila (PC do B): convencer que tem experiência administrativa, mostrar domínio sobre temas nacionais, formar parcerias.
Guilherme Boulos (PSOL): demonstrar que não é apenas “fogueteiro” ou ocupador de áreas públicas e privadas, abrir o discurso.
Paulo Rabelo (PSC), João Amoedo (Novo) e Flávio Rocha (PRB): maior inserção do discurso nas áreas sociais, visão mais plural do Brasil, ao lado do domínio temático em matéria de economia.
Michel Temer (MDB): articulação para viabilizar a candidatura; esforço para mostrar os avanços do país em dois anos de governo; visitar com frequência as regiões.
Henrique Meirelles (MDB): capacidade de articulação para viabilizar sua candidatura junto aos partidos de centro, mobilidade, discurso mais afeito ao dia a dia da população, capacidade para decodificar economês ao nível popular.
Guilherme Afif (PSD): convencer o PSD que é candidato para valer; correr o país, abrir o discurso.
Aldo Rebelo (Solidariedade): convencer o partido que é candidato para valer; correr o país, abrir o discurso.
Fernando Collor (PTC): convencer que seu perfil respira o espírito do tempo, convencer o partido que é candidato para valer.
José Maria Eymael (PSDC): Convencer que sua candidatura desta feita não vai se restringir ao famoso jingle.
Fernando Haddad, Jaques Wagner ou outro perfil do PT: substituir o discurso do “nós e eles” pelo discurso na união nacional; reconhecer os erros cometidos pelo PT e evitar o exclusivismo nos domínios da política e do poder.
Lula: liberar o PT para realizar o plano B (substituto) e aceitar as regras do jogo judicial, evitar discurso do ódio e da revanche.

Não sei atirar, mas sou delegado de polícia no ES

Aqui no Espírito Santo o delegado de polícia civil concursado assume o cargo e depois de muito tempo, vai para a Acadepol aprender atirar e a fazer a defesa pessoal.

Isso me fez lembrar dos anos 1960 e 1970, um pouco de 1980, quando os delegados e subdelegado eram nomeados por indicações políticas. Muitos entraram e aposentaram sem dar um tiro. Os delegados concursados no período entre 1º de janeiro de 2003, até a presente data, passaram por isto! A fonte me garantiu que é só conferir quando eles foram nomeados e a data de quando foram fazer a formação na Acadepol.

Margens ganham força

Com a dispersão dos candidatos centrais, as margens ganham força. Bolsonaro vê seu nome ganhando cada vez mais visibilidade e anunciado como forte candidato ao segundo turno. Já na esquerda, mesmo com Lula na prisão e inviabilidade de sua candidatura, os candidatos do lado esquerdo do arco ideológico adquirem musculatura. Ciro Gomes e Marina entram no rol de probabilidades. Ciro, mais loquaz e preparado, Marina, estampando mais ética, porém, com estrutura precária de campanha, avançam na direção dos grandes contingentes eleitorais.

Bolsonaro segura ou não?

É a pergunta que se ouve de todos os lados. Terá poucos segundos de TV e rádio. Mas ganhará ampla cobertura das redes sociais. A projeção desse consultor é a que Bolsonaro está atingindo seu teto. Poderia até ganhar mais volume caso o candidato da margem esquerda seja alguém do PT. A lógica da eleição é a de que os candidatos com maior espaço de comunicação – grandes partidos – ampliem seus índices de intenção de voto. Geraldo Alckmin, por exemplo. Álvaro Dias, caso dispusesse de um bom tempo de mídia eleitoral, teria chances de crescer. Sob essa perspectiva, e sob critérios lógicos, Bolsonaro não segurará seus índices. Mas o imponderável sempre abre uma portinha para aparecer.

Mudança de comando na CNC

A Confederação Nacional do Comércio – CNC realizará pleito em setembro para o comando da entidade. Uma das novidades é de que aos 92 anos, sendo os últimos 38 anos à frente da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Antônio Oliveira Santos, capixaba de Vitória/ES, deixará o cargo. Trata-se da poderosa entidade patronal, liderando 27 FECOMÉRCIOs nos Estados e sete Federações nacionais de serviços, cerca de mil sindicatos e estruturas do SESC e SENAC espalhadas em todo o país. No fechamento do ciclo que consolidaria seu legado, Antônio Oliveira não conseguiu consenso e pode perder o protagonismo de abrir uma era de renovação, projetando o sistema para o futuro.

O sistema CNC destaca-se por sua força econômica. Mas há muita reclamação por ser uma entidade fechada e pouco atuante na efetiva defesa dos representados. As empresas ressentem-se de pouco espaço para participação. A hora é de suprir oxigênio na potência.

A tendência do presidente que sai é a de apoiar uma chapa encabeçada por José Tadros, presidente da FECOMÉRCIO-AM há 36 anos. Eleito por seis sindicatos com os quais tem profundas relações, Tadros representa a continuidade de uma atuação patrimonialista. Com processos em investigação no Tribunal de Contas da União – TCU, uma liminar do Tribunal Regional Federal -TRF da 1ª região o mantém na disputa.

O outro candidato é o deputado Laércio Oliveira, Presidente da FECOMÉRCIO-SE. Laércio tem atuado como principal interlocutor do setor de comércio e serviços junto aos poderes públicos e outros setores empresariais. Com reconhecida atuação no Congresso e sem ser populista, Laércio foi relator da Lei da Terceirização, defendeu a reforma trabalhista, liderou resistência ao aumento do PIS/COFINS para os serviços e está na presidência da Comissão do Código Comercial. Trata-se de um candidato “ficha limpa”.

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