Dia desses deparei-me com uma interessante reflexão atribuída a Galileu Galilei: “todo homem é superior a mim em alguma coisa, e, nesse particular, tento aprender com ele”. Eis aí, neste conselho humilde, algo que poderia melhorar muito nossas vidas enquanto brasileiros.
         Durante a Copa do Mundo aqui realizada, por exemplo, fomos testemunhas de que os japoneses, sacos de lixo às mãos, limparam seus lugares antes de deixarem nossos estádios. Eis aí um belo exemplo de civilidade. Que tal pensarmos nele ao contemplarmos nossas ruas, tão ricas em pichações, depredações etc.?
         Em Singapura, aquele pobre mas riquíssimo país, 73% dos habitantes tem absoluta confiança de que autoridades corruptas serão punidas. Que tal meditarmos sobre isso enquanto padecemos sob a vil hipocrisia de um sistema legal claramente falido e injusto?
         Ainda sobre aquele país, sua população tem à disposição um aplicativo para telefone celular que informa qual a localização do banheiro público mais próximo, e bem assim permite ao usuário denunciar eventual falta de higiene no mesmo. Que tal nos lembrarmos deste exemplo, proporcionando aos nossos conterrâneos a dignidade tão simples e barata de um sanitário decente, cuja falta nos diminui a todos?
         No Japão, outro país paupérrimo porém rico, as vítimas de crimes e suas famílias são amparadas por uma legislação que oferece nada menos que 258 tipos distintos de assistência – desde cuidados médicos e psicológicos até garantia de moradia e emprego. Que tal começarmos a trilhar este caminho em um Brasil tão rico, mas que deixa suas vítimas quase sempre “largadas na estrada”?
         A propósito, sobre o Japão e estradas, seus filhos circulam pelo país a bordo de confortáveis e seguros trens de alta velocidade – assim como os sul-coreanos, alemães, franceses, ingleses, norte-americanos, canadenses, suíços e tantos outros. Que tal refletirmos sobre os motivos que levaram um país de dimensões continentais, como o nosso, a optar pelas lentas, caras e perigosas rodovias? Será que não estaria aí a receita para retirar das garras da morte tantos irmãos nossos – e talvez algum dia nós mesmos – que perecem vítimas de acidentes de trânsito pelos nossos matadouros, digo, pelas nossas estradas?
         Na Dinamarca, o barulho é considerado uma violação aos Direitos Humanos – a um ponto tal que a Administração Pública deverá indenizar a população local caso tenha que empreender alguma obra considerada indispensável, e que importe em perturbação do sossego. Que tal buscarmos um maior respeito ao direito alheio em um país no qual a barulhada excessiva é a regra, para desespero de idosos, doentes e recém-nascidos – e de quem quer simplesmente ficar em paz?
         Nas Ilhas Maldivas, e cito-a por ser um país pobre, quando o governo causa prejuízo injusto a um particular imediatamente pede desculpas e indeniza-o. Que tal adotarmos esta prática no Brasil, cujo Poder Público, na palavra sensata da OAB, “é o maior litigante de má-fé que existe”?
         Todas estas virtudes foram desenvolvidas por povos que não são nem superiores e nem inferiores a nós. Seus países tem, evidentemente, falhas por serem corrigidas – assim como o nosso tem boas práticas a ostentar. Apenas percebamos que eles conseguiram, nas básicas áreas acima, ser exemplo.
         Não somos um povo isolado ou xenófobo – percorra nossas ruas, contemple um  dos nossos “Medical Complex Center Business Place & Convention Bureau”, descubra que  aqui “intervalo” virou “coffee break” e perceba o quão humildes somos – menos no que realmente interessa!
         Seja como povo ou como pessoa, todos os exemplos acima citados estão ao alcance. Que tal começarmos a observá-los, com muito orgulho e com muito amor?

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