Cesar Herkenhoff

César Herkenhoff é pós-graduado em Psicanálise Clínica e em Criminologia, Política Criminal e Segurança Pública. Pós-graduando em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho. Bacharel em Teologia, Direito e Comunicação Social. Hipnólogo e membro da Instituto Brasileiro de Hipnologia e da Sociedade Iberoamericana de Hipnologia Condicionativa. Jornalista, radialista e publicitário. Analista Judiciário do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

O Ministério da Educação anunciou hoje (12/01) o reajuste de 7,64% no piso salarial dos professores do País. Com o aumento, o menor valor a ser pago ao magistério deve passar dos atuais R$ 2.135,64 para R$ 2.298,80. A implementação do novo valor, porém, vai depender de cada Estado. O que significa, em última análise, que muitos vão continuar percebendo remuneração abaixo do piso salarial.
Uma vergonha nacional, se considerarmos que esse valor é inferior à ajuda de custo recebida pelos vereadores brasileiros, com raríssimas exceções, apenas para pagar a conta de telefone celular. A isso somam-se auxílio-paletó, auxílio-combustível, auxílio-motel, auxílio levar a sogra pra jantar num restaurante de quinta categoria e por aí vai.
Um levantamento feito em 2016 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação mostrou que mais da metade dos Estados brasileiros não pagam o piso.
Ainda que o reajuste deste tenha ficado 1,35 ponto percentual acima do índice da inflação do ano passado, que foi de 6,29%, os professores sentem vergonha de declarar a renda. Alguns, acredite quem quiser, ainda são tributados pela Receita Federal, que não tributa os penduricalhos que chegam a envergar as árvore dos ganhos de membros do Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas.
O assunto ganhou maior relevância nos últimos dias, com as lamentáveis (para alguns, abençoadas) execuções de presos no Norte do País, desnudando a gravíssima crise do sistema penitenciário brasileiro.
Ganhou destaque, sobretudo, o sociólogo Darcy Ribeiro, que há duas décadas declarou que se o Brasil não investisse em educação, nos próximos 20 anos não haveria dinheiro para a construção de presídios.
Tinha razão. Não temos dinheiro nem para a educação nem para o sistema penitenciário. De forma particular as gestões capitaneadas pelo Partido dos Trabalhadores – que culminou com a ascensão de Michel Temer à presidência da República – levaram o Brasil à bancarrota.
O mais grave de tudo é que é imperioso dizer que sem Lula da Silva e Dilma Rousseff o quadro apresenta avanços significativos nos campos econômico e ético, mas ainda muito distante dos anseios da sociedade civil.
Por isso é de fato pertinente a discussão travada dentro e fora dos poderes constituídos em torno de inadmissível fato de um presidiário custar mais ao Erário do que um estudante.
Com o novo piso salarial, o presidiário custa mais à sociedade brasileira do que o professor.
Quem manda dar nota baixa e botar a gente de castigo depois da aula?
Que vergonha, Brasil. Sem entrar no mérito da questão, você investe mais num detento do que em um estudante e em um professor.
Bem fez Lula da Silva que fugiu da escola e logo, logo, vai ingressar no sistema prisional.

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