Pelo menos 89 dos candidatos eleitos no primeiro turno das eleições entraram com processo na Justiça para tentar remover alguma informação da internet durante a campanha. A informação é de um levantamento do Ctrl+X, ferramenta da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que monitora tentativas judiciais de ocultar informações da rede. Ao todo, o grupo de eleitos é responsável por 141 processos judiciais pedindo retirada de conteúdo da internet. Eles conseguiram uma decisão favorável a remover o conteúdo do ar em 79 casos, ou 56% dos processos.

Os partidos cujos candidatos eleitos em primeiro turno acumulam mais tentativas de excluir informações da internet são o MDB (24 processos), o PSDB (18) e o PP (17). Trinta e cinco desses candidatos também tentaram imprimir censura prévia (quando se pede à Justiça que proíba antecipadamente algum conteúdo de ser publicado). Ao todo foram 45 pedidos. Desses, 12 foram aceitos pela justiça.

Um exemplo de pedido de retirada de conteúdo é a série de ações protocoladas pelo senador reeleito Eduardo Braga, do Amazonas. Ex-ministro de Minas e Energia do governo Dilma, ele entrou com processos tentando retirar do ar notícias e comentários que vinculavam seu período no Ministério a um aumento nas contas de luz. O político também tentou ocultar posts que recuperavam um caso onde ele era acusado de ter agredido um deficiente mental e outros comentários de usuários de redes sociais que o chamavam de corrupto.

Outro exemplo é do governador eleito no Paraná, Ratinho Júnior, que tentou retirar da internet, sem sucesso, o perfil de Twitter “fabrica dos memes paranaenses”, que fazia posts ridicularizando o então candidato. O governador eleito de Alagoas, Renan Filho, foi outro que tentou remover duas vezes imagens do Instagram que o acusavam de ter haver transferido uma delegada de seu cargo por motivos políticos.

Houve também pedidos de retirada de conteúdo que envolveram alegações de propagação de notícia falsa. Muitas dessas alegações de se tratar de fake news não foram verificadas por checagem independente, mas em alguns casos ficou comprovado se tratar de notícia falsa. Foi o caso por exemplo do deputado Jean Wyllys que moveu uma série de ações para retirar de circulação um boato de que dizia que ele deu declarações elogiando a pedofilia.

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